Flávio Bolsonaro deixa o Brasil pela Argentina com três entradas em 40 minutos e apoio internacional

Senador cruzou a fronteira terrestre em 27 de outubro usando passaporte italiano, com escolta policial e logística sofisticada antes de embarcar para os EUA em jatinho particular

Fonte: G1

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Redação HJ News

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Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Flávio Bolsonaro saiu do Brasil para os Estados Unidos na madrugada de 28 de outubro após ordem do Supremo Tribunal Federal que determinava a entrega de seus passaportes à Polícia Federal. Ele atravessou a fronteira com a Argentina em 27 de outubro, registrando três passagens diferentes no sistema migratório argentino em cerca de 40 minutos, utilizando um passaporte italiano válido e com auxílio de escolta e uma frota de veículos diplomáticos. A partida para os EUA ocorreu no aeroporto de Puerto Iguazú, em um jato de luxo.

Na sequência da derrota eleitoral no segundo turno presidencial e da determinação judicial para entregar seus passaportes, o senador Flávio Bolsonaro executou uma série de manobras logísticas para deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos com segurança e discrição. As informações levantadas pela investigação jornalística em cooperação internacional e documentos oficiais da imigração argentina revelam uma operação detalhada e coordenada.

Pelas 5h05 da manhã de 27 de outubro, Flávio embarcou em um Cessna Citation Excel em Brasília, associado ao seu advogado, e pousou em San Fernando, na região metropolitana de Buenos Aires, às 8h40. Depois, voou para o aeroporto internacional de Puerto Iguazú, na Argentina, cidade localizada próxima à fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná. Paralelamente, sua esposa Fernanda e suas duas filhas, Carolina e Luíza, viajaram por terra até Cascavel, no Paraná, onde embarcaram em uma van de uma empresa de turismo aparentemente inativa.

Por volta das 22h37 daquele dia, os documentos argentinos registraram três entradas de Flávio na Argentina em intervalos curtos, das 22h37 até as 23h11, utilizando diferentes documentos: passaporte italiano (válido), passaporte brasileiro e carteira de motorista. Apenas o registro com passaporte italiano permaneceu válido, enquanto os outros foram cancelados posteriormente. A família foi escoltada por uma frota diversificada, incluindo veículos diplomáticos e pelo menos uma viatura da Polícia de Segurança Aeroportuária da Argentina, além de veículos com placas brasileiras e argentinas.

Entre os agentes que participaram da operação estava Menachem Booky Halevy, um ex-oficial do serviço de inteligência israelense conhecido por sua atuação com altos membros do governo israelense. Halevy, que entrou no Brasil dias antes e já tinha passagens frequentes pelo país, integrava a escolta que acompanhou o grupo até o aeroporto de Puerto Iguazú.

No aeroporto argentino, a família embarcou em um jatinho executivo Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly, em voo que inicialmente fez escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami. O custo da operação foi de aproximadamente 150 mil dólares, pago por meio de intermediário nos Estados Unidos, cuja identidade final permanece desconhecida.

A viagem ganhou repercussão também na Argentina, onde autoridades locais se viram forçadas a preservar imagens e registros da fronteira e aeroporto. A deputada argentina Marcela Pagano, que acompanha o caso, denunciou irregularidades na passagem pelo sistema migratório e a presença de escolta policial e veículos diplomáticos, cobrando esclarecimentos da Justiça argentina.

No Brasil, o caso evidencia um desafio para o cumprimento das ordens judiciais do Supremo Tribunal Federal, que impediu Flávio Bolsonaro de sair do país e exigiu a apreensão dos seus passaportes, medida que não foi obedecida. A passagem rápida e múltipla por documentos diferentes mostrou uma operação que buscou despistar a fiscalização tanto brasileira quanto argentina.

Até o momento, as investigações sobre a fuga e os agentes envolvidos continuam em curso no Brasil e na Argentina, com apurações que também miram as possíveis conexões internacionais que facilitaram a saída do senador, em um processo que reforça tensões diplomáticas regionais e a complexidade da segurança jurídica em casos de autoridades políticas.

Especialistas em direito migratório destacam que o uso do passaporte italiano permitiu a Flávio Bolsonaro contornar restrições impostas ao documento brasileiro, enquanto o apoio logístico minucioso e a participação de agentes estrangeiros confirmam a dimensão internacional da operação. A saída do senador ocorre em um momento de grande impacto político e judicial, com consequências ainda a serem definidas.