Janones rejeita ministério no governo Lula e permanece na Câmara e na Rede Sustentabilidade

Deputado federal reeleito por Minas Gerais afirma que prefere atuar no Congresso e manter a mobilização digital que coordenou na campanha presidencial

Fonte: Valor Econômico

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Janones rejeita ministério no governo Lula e permanece na Câmara e na Rede Sustentabilidade

Foto: Lula Marques/Agência Brasil

André Janones, deputado federal reeleito por Minas Gerais, declarou nesta terça-feira (1º) em entrevista que não aceitará convite para assumir cargo ministerial no quarto governo Lula e seguirá atuando no Congresso Nacional e no partido Rede Sustentabilidade.

André Janones, figura de destaque na política mineira e nacional, anunciou que não assumirá ministério no atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao programa Fantástico, exibida na noite deste domingo (1º), o parlamentar reafirmou que continuará exercendo seu mandato na Câmara dos Deputados e permanecerá filiado à Rede Sustentabilidade, partido pelo qual foi eleito.

Durante a conversa, Janones frisou que a decisão está “cravada” e que não pretende mudar sua trajetória para ocupar um cargo no Executivo federal. O deputado já havia sinalizado, em entrevista anterior ao Palácio da Alvorada em 29 de outubro, que avaliaria a orientação do presidente Lula antes de se posicionar, mas confirmou agora a escolha de seguir na representação legislativa, onde acredita ser mais útil para o país.

Janones ressaltou que buscará fortalecer a atuação parlamentar do governo, especialmente porque o Congresso Nacional terá uma composição majoritariamente oposicionista a partir de 2027, o que tornará o diálogo e a articulação políticas fundamentais para a aprovação de iniciativas prioritárias. Ele pretende usar sua experiência e influência, adquiridas durante a campanha presidencial, para ampliar o apoio às propostas de Lula.

Um dos fatores que contribuíram para a visibilidade do deputado durante as eleições foi a coordenação do canal digital “Exército do Lula”, uma plataforma que congregou mais de 10 milhões de participantes em campanhas de mobilização e comunicação. Janones pretende manter esse canal ativo como ferramenta de engajamento político e base de sua atuação parlamentar.

Sobre sua filiação partidária, Janones descartou migração para o PT, enfatizando sua permanência na Rede Sustentabilidade. A sigla integra juntamente com o PSOL uma federação partidária que prepara a atuação conjunta para o próximo mandato no Legislativo, reforçando a estratégia de autonomia política e pluralidade dentro da base aliada do Planalto.

A decisão de não aceitar um ministério, segundo Janones, está relacionada à sua vontade de evitar a "zona de conforto" que cargos de natureza burocrática poderiam representar, preferindo dedicar esforços à articulação política e ao contato direto com os eleitores. A posição adotada marca um movimento relevante para a composição do governo Lula, cuja lista final de ministros ainda está em construção, e para o equilíbrio de forças no Congresso.

Até o momento, não há confirmação oficial de convite formal para Janones ocupar algum ministério, nem declarações oficiais do governo Lula acerca da notícia. A postura do deputado cria expectativa sobre como a Rede Sustentabilidade se posicionará no cenário político dos próximos meses e qual será o impacto dessa decisão nas negociações internas e na governabilidade.

Com o mandato renovado para o terceiro período consecutivo, que se inicia em 2027, Janones se consolida como um dos nomes importantes da renovação política, sobretudo por sua capacidade de mobilização digital e articulação no Legislativo. A decisão de permanecer na Câmara também sinaliza estratégia política de longo prazo na cena nacional.

O deputado terá papel fundamental nas próximas semanas, quando o governo Lula iniciará o segundo mandato em meio a um Parlamento com maioria adversa. Sua escolha reforça o protagonismo da atuação no Congresso para a consolidação das políticas públicas e para ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade.