A Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste, por meio da Secretaria de Educação, realizou nesta quarta-feira (30) o 1º Diálogos Antirracistas – “Abrir caminhos, transformar práticas”, encontro que reuniu representantes dos municípios de Santa Bárbara d’Oeste, Americana, Nova Odessa e Hortolândia para compartilhar experiências, refletir sobre os desafios da Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) e fortalecer práticas pedagógicas comprometidas com a equidade racial.
A iniciativa foi marcada pelo diálogo, pela troca de experiências e pela valorização de ações que vêm sendo desenvolvidas nas redes municipais de ensino. A proposta do encontro foi ampliar a reflexão sobre a educação antirracista como um compromisso institucional e cotidiano, envolvendo currículo, formação continuada, práticas pedagógicas, materiais educativos, representatividade e relações estabelecidas no ambiente escolar.
A abertura contou com a participação da secretária de Educação de Santa Bárbara d’Oeste, Tânia Mara da Silva, além de representantes dos municípios participantes. “O evento reafirmou a importância do diálogo entre diferentes territórios, profissionais e sujeitos para que a educação antirracista esteja presente não apenas em ações pontuais, mas no currículo, nas relações, nos projetos, nos materiais pedagógicos, na formação e na gestão das escolas”, declarou a secretária.
Durante o encontro, a representante de Santa Bárbara d’Oeste, professora Juliana Ramos Fernandes, apresentou ações desenvolvidas no Município na área da Educação das Relações Étnico-Raciais. Assessora Técnico-Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, Juliana atua na implementação da Política Nacional de Equidade e Educação das Relações Étnico-Raciais (PNEERQ) como agente de governança regional e na coordenação das ações de ERER da Rede Municipal.
Também participaram do momento representantes da comunidade e convidados que desenvolvem trabalhos relacionados à cultura, à educação, à promoção da igualdade racial e à valorização da população negra, entre eles Benedito Samuel Barbosa, o Dito Preto, Antonio Carlos Vianna de Barros (Carlinhos), Damiana Helena de Souza e James Ribeiro.
Em Americana, a experiência foi apresentada por Evandro da Cruz Bastos e Thayssa Trancozo, que compartilharam ações de formação e projetos voltados à Educação para as Relações Étnico-Raciais. Entre as iniciativas destacadas estão a formação de professores, projetos de protagonismo negro e ações relacionadas às temáticas de raça, gênero e classe.
Representando Nova Odessa, a professora Mirelle Giordano Santarosa Peccim, coordenadora do Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação, apresentou o trabalho desenvolvido junto aos coordenadores pedagógicos para fortalecer a presença da ERER nas escolas. Entre as ações estão reflexões e atividades relacionadas à educação das relações étnico-raciais e quilombolas desenvolvidas também no âmbito dos encontros do programa Alfabetiza Juntos.
Já Hortolândia esteve representada pelo professor Adelson dos Santos, professor referência na coordenação dos professores de Arte do Departamento de Pedagogia e Formação Continuada do Centro de Formação dos Profissionais em Educação Paulo Freire. Mestre em Educação pela Unicamp e especialista em Educação para as Relações Étnico-Raciais pela UFSCar, Adelson compartilhou experiências desenvolvidas no município.
Cultura e educação
Também houve participação das crianças do CIEP Angélica Sega Tremocoldi, acompanhadas da monitora cultural Juliana Gobbo, com a apresentação do poema “Redes Sociais”, de Bráulio Bessa. A atividade destacou a importância da arte e da cultura como instrumentos de reflexão, expressão e construção de vínculos.
O encontro também contou com uma exposição de trabalhos produzidos pela Educação Infantil e pelo Ensino Fundamental de Santa Bárbara d’Oeste, além de materiais encaminhados pelo município de Hortolândia. A exposição foi organizada como espaço de memória, reflexão e valorização de práticas relacionadas à equidade racial.
Compromisso coletivo
Ao final das apresentações, o encontro reforçou que não existe uma única forma de construir uma educação antirracista. As experiências compartilhadas demonstraram diferentes possibilidades de atuação, respeitando as características e os contextos de cada município.
Entre os principais pontos destacados estão a importância da formação continuada dos profissionais da educação, da valorização da história e da cultura africana e afro-brasileira, da representatividade nos espaços educativos e do compromisso institucional com o enfrentamento ao racismo.
A proposta também é que o Diálogos Antirracistas tenha continuidade, fortalecendo uma rede de colaboração entre municípios e instituições, com novos encontros, compartilhamento de materiais, formação de profissionais e construção conjunta de estratégias para o fortalecimento da educação antirracista.









