Especialistas e instituições ligadas à conservação da fauna lançaram o documento “Diretrizes e Fundamentos para Mitigação de Conflitos entre Humanos e Onças-Pintadas”, que define quatro níveis de gravidade para encontros com o animal e orienta moradores, trabalhadores e autoridades sobre como agir em cada situação, visando minimizar riscos para pessoas, animais domésticos e a onça-pintada.
A crescente expansão urbana e a transformação das áreas naturais têm aumentado os encontros entre humanos e onças-pintadas, sobretudo em regiões como o Pantanal e, mais recentemente, no entorno de centros urbanos como Campinas. Preocupados com essa realidade, um grupo de 15 especialistas brasileiros e internacionais desenvolveu o manual “Diretrizes e Fundamentos para Mitigação de Conflitos entre Humanos e Onças-Pintadas”. O documento foi elaborado a partir dos debates do I Workshop Internacional Conflitos com Grandes Felinos, realizado em agosto de 2025, em Campo Grande (MS).
Níveis de risco e personalização da resposta
O diferencial do manual está na definição clara de quatro níveis de risco para encontros com o felino, que vão desde avistamentos casuais sem ameaças até situações críticas que envolvem ataques graves ou riscos à vida humana. Um avistamento isolado e sem aproximação persistente é tratado como de baixo risco, não exigindo ações emergenciais. Já a predação de animais domésticos, a recorrência das aparições e a entrada em perímetros urbanos elevam o nível de alerta.
Nos casos mais alarmantes, quando há registro de ferimentos em humanos ou risco de ataques múltiplos, o protocolo prevê rápida intervenção técnica. Alexandre Rodrigues, biólogo e um dos autores do documento, destaca que “o ser humano não faz parte da dieta da onça-pintada” e que “casos de ataques não provocados são raros, ocorrendo principalmente quando o animal está acuado ou ameaçado”. Ele reforça que essa gradação é essencial para evitar disseminar pânico e orientar respostas proporcionais.









