O Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, em Americana, aproveita o Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, para ampliar as informações à população sobre a captação de córneas, realizada na unidade em parceria com o BOS (Banco de Olhos de Sorocaba). Neste ano, cerca de 50 captações já foram feitas no HM.
A doação de córneas é realizada após o falecimento e depende da autorização da família. No Hospital Municipal, a abordagem aos familiares faz parte do fluxo de captação. Diante da autorização, são adotados os procedimentos necessários para a retirada do tecido ocular, que posteriormente é encaminhado ao BOS, responsável pela preservação das córneas e pela notificação à Central de Transplantes do Estado de São Paulo. A partir dessa comunicação, a Central realiza a distribuição dos tecidos aos pacientes que aguardam por um transplante, conforme os critérios estabelecidos para a fila.
Podem ser doadores pessoas com idade entre 2 e 80 anos, desde que atendidos critérios determinados. Algumas doenças e causas de morte podem representar contraindicações. No entanto, condições como miopia, hipermetropia, astigmatismo e o uso de óculos ou lentes de contato não impedem a doação. A avaliação é realizada pela equipe responsável, de acordo com as condições de cada caso.
Para que a doação seja realizada, é necessário que familiares formalizem o consentimento após a morte. Por isso, conversar previamente com a família sobre a intenção de ser doador é uma forma importante de tornar essa vontade conhecida.
Para a bióloga especialista em captação, doação e transplante de órgãos e tecidos do BOS, Sarah Lee Vaughan, que atua no Hospital Municipal, informar a população é fundamental para esclarecer dúvidas e facilitar a decisão da família. “A doação de córneas envolve critérios específicos e uma avaliação cuidadosa de cada caso. Por isso, é importante que a população saiba como esse processo funciona e entenda que a família tem um papel fundamental. Conversar sobre o desejo de ser doador ainda em vida facilita muito a tomada de decisão quando esse momento chega. É uma forma de deixar clara uma vontade que pode beneficiar outra pessoa”, explica.
A captação de córneas é realizada no Hospital Municipal por equipe capacitada, de maneira cuidadosa, seguindo protocolos estabelecidos para a captação e preservação dos tecidos.
Segundo Sarah, o procedimento não provoca alterações aparentes, mantendo intacta a fisionomia do doador. “Um aspecto que costuma gerar dúvidas entre os familiares é a aparência do doador. A doação não interfere na aparência, e o procedimento é relativamente simples e rápido. Também não provoca atraso na liberação do corpo ou no tempo de velório. A doação é um gesto de solidariedade que pode transformar vidas”, destaca.
O cenário da fila de transplantes reforça a importância da doação. De acordo com dados divulgados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), 37.719 pessoas aguardam atualmente por um transplante de córnea no Brasil. Em dezembro de 2025, eram 32.639 pacientes, o que representa um crescimento de aproximadamente 15% em seis meses. Somente no Estado de São Paulo, são mais de 7.500 pacientes ativos aguardando na fila por um transplante.
“Cada doação pode beneficiar até duas pessoas, porque as duas córneas podem ser destinadas a receptores diferentes. Por isso, cada autorização representa a possibilidade de transformar a vida de quem aguarda por um transplante e pode voltar a enxergar. Neste ano, tivemos cerca de 50 captações aqui no HM. Para que esse número cresça, a conscientização é muito importante”, acrescenta Sarah.
O secretário de Saúde de Americana, Danilo Carvalho Oliveira, reforça a importância de garantir que toda doação seja conduzida com responsabilidade, acolhimento e respeito. “Falar sobre doação de órgãos e tecidos é falar sobre solidariedade e sobre a possibilidade de ajudar outras pessoas mesmo em um momento de profunda dor para uma família. Cada doador representa uma oportunidade para que alguém que aguarda na fila tenha uma nova perspectiva de vida. Por isso é tão importante ampliar o conhecimento da população sobre o tema e incentivar esse diálogo. Quando a vontade de ser doador é conhecida pelos familiares, o processo se torna mais claro e a decisão pode ser tomada com mais segurança e respeito”, afirma.
Protocolo para doação de órgãos
Além da captação de córneas, o Hospital Municipal de Americana conta com a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), estrutura responsável por organizar e apoiar, dentro da unidade, os processos relacionados à identificação de potenciais doadores e à doação de órgãos e tecidos.
A CIHDOTT atua de forma integrada às equipes assistenciais e em articulação com a Organização de Procura de Órgãos (OPO) da Unicamp, contribuindo para a identificação de possíveis doadores, acompanhamento dos protocolos, comunicação com os serviços responsáveis e acolhimento dos familiares durante o processo.
Quando ocorre uma morte encefálica e há um possível caso de doação, são seguidos os fluxos estabelecidos para avaliação do potencial doador e dos critérios de elegibilidade e para encaminhamento à OPO. A organização possui protocolos específicos para avaliação e atua, em conjunto com o hospital, nas diferentes etapas necessárias para viabilizar a doação e a captação dos órgãos.
Para o diretor médico do Hospital Municipal, Dr. Fernando Bertola, a existência da CIHDOTT, de protocolos bem definidos e da integração entre as equipes é fundamental para que os possíveis casos sejam identificados e conduzidos adequadamente.
“O processo de doação de órgãos e tecidos envolve diferentes etapas, critérios e equipes, e o hospital tem um papel importante na identificação e no encaminhamento dos potenciais doadores. No Hospital Municipal, contamos com a CIHDOTT, além de protocolos definidos e parcerias que permitem que esses casos sejam conduzidos de forma adequada e dentro dos fluxos estabelecidos. Sabemos que o momento não é fácil para quem perde um ente querido, mas a doação representa esperança para outras famílias e tem um papel fundamental na continuidade da vida de pessoas que aguardam por um transplante. Por isso, também é importante falar sobre o tema e estimular que as pessoas conversem com suas famílias sobre a decisão de ser doador”, comenta.
O Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi é administrado pelo Grupo Chavantes, em gestão compartilhada com a Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Americana.









