Nunes Marques determina que TSE apure desinformação no canal “Exército do Lula” no WhatsApp

Iniciativa criada por André Janones vira pivô de divergência no Tribunal Superior Eleitoral após ordem de bloqueio ser revogada por corregedor.

Fonte: Redação

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Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, determinou que a assessoria técnica e os órgãos de fiscalização da Corte analisem o canal do WhatsApp denominado “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) em apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa se tornou centro de uma acirrada disputa jurídica e de visões opostas entre ministros no tribunal na reta final do segundo turno eleitoral.

A determinação de Nunes Marques tem como objetivo verificar se a estrutura do canal — que reúne cerca de 3,3 milhões de seguidores — vem sendo utilizada de maneira coordenada para burlar os algoritmos do aplicativo e impulsionar conteúdos falsos ou descontextualizados já proscritos por decisões anteriores do próprio TSE.

Divergência entre ministros expõe bastidores no TSE

A ação na Justiça Eleitoral foi movida pela campanha do candidato adversário Flávio Bolsonaro (PL). No domingo (11), o ministro Nunes Marques havia determinado a suspensão imediata do canal do WhatsApp em um prazo de três horas, sob o argumento de que a propagação de conteúdos ofensivos ocorria de forma em massa e contínua.

No entanto, poucas horas depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, anulou a ordem de bloqueio do canal. Cueva apontou que a suspensão de um canal completo exige a garantia do devido processo legal e a apresentação formal de provas antes de uma medida extrema.

Com a revogação da ordem por Cueva, Nunes Marques acionou a assessoria de inteligência do TSE para subsidiar com laudos técnicos a análise da controvérsia, que deverá ser submetida e julgada pelo Plenário da Corte.

André Janones classificou a primeira tentativa de suspensão como “tentativa de censura” e anunciou que manteria a mobilização. Por outro lado, a campanha adversária criticou a derrubada da ordem e cobrou maior rigor da Justiça Eleitoral sobre a distribuição de disparos em massa.