O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSol), trocaram acusações neste domingo (1º) sobre o aumento do ICMS cobrado sobre o diesel, reajuste aprovado no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) que só começa a valer em 1º de fevereiro de 2027.
A medida foi aprovada no dia 27 de outubro pelo Confaz, colegiado do Ministério da Fazenda que reúne os 26 estados e o Distrito Federal. Pelos valores divulgados, a alíquota do ICMS sobre o litro da gasolina passa de R$ 1,57 para R$ 1,64, uma alta de R$ 0,07, o equivalente a cerca de 4,5%. No diesel, o imposto sobe de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, acréscimo de R$ 0,13 que representa 11,1%. No gás de cozinha, a cobrança passa de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo, com aumento de R$ 0,07.
Em vídeo publicado no Instagram, Boulos afirmou que o reajuste atingiria não só o preço do combustível para os caminhoneiros, mas também o valor dos alimentos nos supermercados, já que o transporte de mercadorias é feito majoritariamente por rodovias. Na mesma gravação, o ministro disse: "Passadas as eleições, as máscaras caem, né? Vocês viram que os bolsonaristas passaram a eleição inteira dizendo: ‘Ah, a esquerda aumenta imposto, a gente quer diminuir imposto’. Olha o que está acontecendo agora com o diesel". Ele também se dirigiu diretamente ao governador: "Governador Tarcísio, faça a sua parte, ajude o povo brasileiro".
A resposta veio no próprio domingo, em nota divulgada pelo Palácio dos Bandeirantes, que classificou como "lamentável" a declaração do ministro. No texto, o governo paulista afirma que "o reajuste do ICMS sobre os combustíveis foi definido no âmbito do Confaz" e que a ratificação dos convênios foi aprovada por unanimidade, "inclusive pelos estados governados pelo PT". A nota acrescenta que a cobrança segue a mesma regra nacional em São Paulo, no Piauí, no Ceará e na Bahia, entre outros estados. A equipe do governador acusou o ministro de distorcer informações, mas o trecho integral da argumentação não foi acessado.
O perfil institucional do governo de São Paulo nas redes sociais também publicou uma mensagem com o título "Não caia em fake news", reforçando os argumentos da nota. Deputados da base de Tarcísio se manifestaram nas redes para criticar a fala de Boulos, enquanto aliados do governador saíram em sua defesa em publicações em série.
Boulos rebateu no X, no mesmo dia. Segundo ele, a discussão "não muda nada em relação à incoerência de Tarcísio com seu discurso de campanha", pois o governador "passou meses atacando Lula a respeito de impostos" e, "três dias depois da eleição, se posicionou a favor do aumento do ICMS no Confaz". O embate ganhou repercussão por ter sido, segundo a cobertura do Metrópoles, o primeiro grande confronto público entre Tarcísio e o governo federal após o segundo turno, em um momento em que o governador, com Flávio Bolsonaro (PL) fora do país, passou a ser visto como um dos principais nomes da oposição ao governo Lula.
O tema, portanto, combina dois efeitos que atingem o consumidor: o custo dos combustíveis e a possível pressão sobre o preço de alimentos, argumento central do ministro. Até o momento, porém, não há dado oficial sobre impacto em preços ao consumidor publicado nas fontes consultadas. A vigência da nova alíquota está marcada para 1º de fevereiro de 2027, quando os novos valores começarão a ser cobrados, sem que as fontes indiquem outras etapas previstas para o caso.









