O presidente destituído do Paraguai, Santiago Peña, foi detido por agentes da polícia paraguaia na noite desta sexta-feira (6), após o Ministério Público ordenar sua prisão junto com a do ex-presidente do Banco Central do país, Carlos Dagoberto Carvallo Spalding.
A medida foi tomada pouco depois de o Senado aprovar o impeachment de Peña, com placar de 44 votos a favor e uma abstenção. Na quinta-feira (6), a Câmara dos Deputados já havia aprovado a destituição do chefe de Estado.
Conforme a determinação do Ministério Público, Peña deverá permanecer detido em sua residência até ser colocado à disposição da Unidade Especializada de Crimes Econômicos e Anticorrupção. De acordo com fontes ouvidas pela CNN Brasil, o presidente destituído não deve usar tornozeleira eletrônica por enquanto, e o monitoramento ficará a cargo de agentes da polícia. Já Spalding deve permanecer detido na unidade que for definida pelo Comando da Polícia Nacional.
As ordens de prisão foram assinadas por promotores da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção e da Unidade Especializada em Crimes Informáticos. Segundo os promotores, as pessoas detidas deverão ser colocadas à disposição da autoridade competente dentro do prazo legal, com observância de seus direitos e garantias.
O caso está ligado ao banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, que fechou suas portas na terça-feira (3). A decisão ocorreu depois que o Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação da instituição, ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
Peña, economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista do grupo proprietário do banco até março do ano passado. O Ueno contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos. Durante a sessão, a deputada da oposição Rocío Vallejo afirmou: "Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou".
Em publicação na rede social X, Peña afirmou que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo. "Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse", declarou.





